Ciça ou Cecilia e o Jornalismo
Escolhas, inúmeras possibilidades - O Delinear de caminhos

Por Cecilia Abreu

Fotos: Marcelo Reis/ Daniel Cruz

                  Trabalho acadêmico - "Por que você escolheu o Jornalismo?" - 06/11/2007


Escrever sempre foi uma paixão para aquela menina baixinha, de seus 1,50 m de altura, dos olhos gigantes e das perguntas que nunca se acabavam. Inicialmente quietinha, porém sincera demais quando se pronunciava, chegando a assustar as freirinhas do colégio onde estudava, Ana Cecília de Abreu Pinto Araújo, conhecida como Ciça ou Cecilia, costumava ter um diário e um caderno de desenhos para ali colocar suas idéias, seus anseios, frustrações e conquistas.

A jovem carioca de classe-média e 25 anos, mora no Cosme Velho desde os 11 anos de idade, ama suas bicicletas, a Brigitte e o Eliot, sua câmera fotográfica e gosta de comprar livros e cds para aprender línguas doidas, como o holandês. Desde criança sempre escreveu porque gostava e suas redações na época do Colégio Sion, tinham um quê de romances açucarados, outras eram verdadeiros contos policiais, cheios de mistérios e sabotagens.

Filha única de dois médicos, uma ginecologista/obstetra e um urologista, Ciça cresceu sem ver a figura da atarefada mãe tanto quanto gostaria. Complexada por ser baixinha, entretanto, não deixava a sua altura lhe impor limitações e fazia tudo para provar que não era diferente dos outros. Fascinada por esportes, especialmente a natação, Ciça treinava cerca de 6 horas por dia junto com mais uma turma da mesma idade. "Cotoco raçudo", como era conhecida nas águas de seu clube, desbancava muita “girafa” por aí. Viajou bastante pela equipe de natação do Fluminense, para inúmeras competições e ali fez seus mais valiosos amigos, que até hoje estão presentes em sua vida.

Até seus 12 anos, a garota era fã do partido comunista e do Roberto Freire, escrevia cartas para os governantes fazendo pedidos de maior integração entre o povo e os políticos. Dizia que, quando crescesse, seria uma líder como Chico Mendes ou uma pessoa atuante em causas sociais, como a Lady Di (Princesa Diana). Ciça adorava relatar com orgulho o fato de ter ganhado um beijo na testa da “princesa do povo”, quando esta veio ao Brasil em 1991.

Infelizmente, a vontade de revolucionar foi diminuindo, as cartas que mandava para os deputados e senadores de Brasília nunca foram respondidas, e com isso, não se sentia ouvida. O aspecto bom dessa fase foi “o adeus” dado à timidez e ao complexo de altura. Uns murros na cara de um garoto, que era o dobro de sua altura e seu maior algoz, fez com que surgisse um sarcasmo explícito, algumas vezes, ferino, tiradas rápidas e também piadas sem graça. A menina tímida, sem reação, deu lugar a uma pessoa mais comunicativa, com uma nova postura: a de que ninguém poderia mudá-la, tentar adequá-la às regras ou diminuir seu valor por ter baixa estatura.

No entanto, a escrita foi deixada de lado, os diários esquecidos e logo, começou a se dedicar aos desenhos, pois percebeu que desta forma conseguia passar mensagens, gerar sorrisos e gargalhadas e chamar a atenção. Fez sucesso no colégio com suas caricaturas dos amigos de turma, de políticos, jogadores de futebol, artistas, professores sentados em privadas, freiras de lingerie ou carecas. Ciça desenhava a lápis nas mesas dos colegas e nunca assinava sua arte. Foi assim que a jovem foi estimulada a fazer o Curso de Desenho Industrial, mas no fundo não sabia exatamente o que queria, se era dar vazão à escrita ou ao desenho.

O início do curso de Desenho Industrial da PUC-Rio era tudo que ela sonhava, várias matérias sobre história da arte, história disso ou daquilo e mais diversas aulas de desenho. No entanto, passada a fase de lua de mel com o curso, Ciça começou a dizer que queria investigar, apurar as coisas, voltar a escrever, ouvir o mundo de forma mais ampla e crítica. A garota se considerava um peixe fora d‘água no meio das pessoas de seu curso na PUC, passou a andar com alguns garotos da engenharia, pois os considerava mais criativos e malucos.

Dessa maneira, o Jornalismo entrou novamente em seu discurso e a jovem começou a ler mais, escrever em blogs, pesquisar e a cursar como ouvinte as aulas de Comunicação Social da PUC. Apesar de se sentir como numa batalha, pois se dizia infeliz com o curso oficial que fazia, acabou concluindo Desenho Industrial em 2005, para alívio familiar. Sendo assim, iniciou o curso de Jornalismo na FACHA em agosto do mesmo ano.

“Senti o dumbo saindo das minhas costas. Um peso imenso foi removido e uma sensação de dever cumprido. Finalmente, pude finalizar uma etapa e agora posso me dedicar a algo que me dá mais prazer e que sinto que flui mais. O melhor de tudo é que também posso agregar os meus conhecimentos de Desenho Industrial à prática jornalística”, contou Ciça ao lembrar de sua época como aluna da PUC-Rio.

Hoje em dia, Ciça trabalha como repórter e espera conhecer mais ainda o que o Jornalismo tem a oferecer. Sonha viajar muito a trabalho, ter dois filhos, publicar um livro sobre aspectos culturais dos lugares por onde viajou e produzir uma comédia teatral que fala de relacionamentos destrutivos, escrita por ela mesma em 2006..

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