“Surf Adventures: na Onda Do Surfe!”

Texto e Ilustração: Cecilia Abreu

Crônica Esportiva sobre o filme Surf Adventures- trabalho acadêmico - 11/12/2005

Você sabia que o surfe é conhecido como o esporte dos deuses? Iisso porque na Polinésia somente os reis podiam pegar as ondas em pé. Aos meros súditos restava praticar o surfe deitado, uma espécie de bodyboard. Nesse embalo de deuses e realezas chegamos aos dias atuais. Chegamos à profissionalização do esporte, à divulgação, a mulheres se inserindo nesse meio e ao prestígio dos surfistas. Quem pratica afirma com convicção: mais do que um esporte, o surf é cultura. Estado de espírito repleto de sonhos, metas e desafios. O sonho, a meta: descer as ondas mais radicais do planeta e viver experiências inesquecíveis. E assim surge “Surf Adventures: O filme”. O objetivo? Esse foi cumprido a ferro e fogo. Ou melhor, ferro e fogo não...com prancha, coragem e muita, mas muita água mesmo. fi

Surf Adventures é um documentário que reúne atletas de norte a sul do Brasil, de diversas idades e classes sociais. Unidos pelo fascínio das ondas, vão em busca da liberdade, querem o descompromisso e a integração com a natureza.

Os realizadores e idealizadores desse documentário são um trio de surfistas: o diretor Arthur Fontes e os produtores Roberto Moura e Bruno Wainer. Os criadores se inspiraram na série de televisão Surf Adventures, exibida pelo canal a cabo Sportv e nos clássicos documentários “The Endless Summer” (1966) e”The Endless Summer II” (1994).

 

Do Brasil até as lendárias Ilhas Mentawai, passando pelo Havaí, África do Sul, Califórnia, as ondas perigosas de Mavericks e muitos outros cantos, Surf Adventures viaja com os surfistas brazucas ao redor do mundo à procura da onda perfeita.

O time que foi convocado para essa viagem foi: Danyllo Grilo, Raoni Monteiro, Pedro Muller, Eduardo Fernandes, Pedro Henrique, Teco Padaratz, Victor Ribas, Léo Neves, Rob Machado, Andréa Lopes, Armando Daltro, Binho Nunes, entre vários outros surfistas. Ou seja, o elenco inclui os atuais ídolos, os veteranos e os novatos no esporte. Até o famoso Kelly Slater deu o ar de sua graça por alguns instantes.

Esse filme não existiria sem música. É ela que embala, que dá o tom dos tubos, manobras e quedas que eles levam. A trilha sonora reúne bandas antigas e modernas, com ênfase na música brasileira. Esta traz uma mistura de sons regionais, passando pelo reggae, rock e MPB. O músico Digão, ex-Raimundos, preparou novas versões de clássicos do surf, como "Love I need", cantada por Jimmy Cliff, gravada especialmente para o filme. Tem também a regravação de "Tudo Azul" de Lulu Santos. A versão mais punk rock foi feita pela banda Cajamanga.

Apesar da profusão de ondas em cenários paradisíacos, em meio a música envolvente, o filme carece de enredo, de um eixo condutor da história. Esta acaba, de fato, não existindo. As imagens se sucedem, há pouquíssimos diálogos, apenas alguns depoimentos. Estes mostram o quanto esse esporte fascina seus praticantes.

Há algumas raras legendas indicando o que cada termo falado pelos surfistas significa, porém isso aparece apenas vez ou outra. Por isso, marinheiros de primeira viagem no surfe continuam sem conhecer a grande maioria das gírias, os jargões que são apresentados constantemente. O leigo pode acabar se sentindo esquecido e perdido.

É impressionante a quantidade de parafina que aparece, não só nas pranchas, mas também nos cabelos dessa galera. Parece até que a parafina também foi diluída no cérebro. Os depoimentos parecem sempre os mesmos, não há grande extensão vocabular e os rapazes não se aprofundam em nada, deixando assim, uma sensação de que falta algo. Outro ponto que é difícil passar despercebido são as rugas precoces nos rostos. São diversos rapazes de 18 anos, aparentando ter mais de 30. Nem filtro solar fator 270 segura a força incessante do sol na pele muito mais do que curtida desses jovens.

Em contrapartida, alguns trechos são divertidos e saem da mesmice, como o relato de Danylo Grillo, rapaz espontâneo e bem humorado, sobre um terremoto que os brasileiros vivenciaram em Sumatra, na Indonésia. Outra parte, que causa uma tremenda inveja aos amantes de aventura, são os saltos que os atletas deram do maior Bungee Jump do mundo. São 216 metros de pura adrenalina.

O documentário chega ao fim com “Mudaram as estações”, música gravada por Cássia Eller. Melodia que embala, define e conclui o pouco enredo, em consonância com imagens de pôr do sol, mudanças de estações, o livre, o leve, o solto, o jovem, o inesperado, o inusitado, o mágico e o mais importante: o ir e vir das ondas.

Aloha para todos vocês! E espero que ninguém leve um caixote enquanto se depara com tanta água que chega a transbordar da tela.

 

 

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