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Do
Brasil até as lendárias Ilhas Mentawai, passando pelo Havaí, África
do Sul, Califórnia, as ondas perigosas de Mavericks e muitos outros
cantos, Surf Adventures viaja com os surfistas brazucas ao redor
do mundo à procura da onda perfeita.
O time que foi convocado para essa viagem foi: Danyllo Grilo, Raoni
Monteiro, Pedro Muller, Eduardo Fernandes, Pedro Henrique, Teco
Padaratz, Victor Ribas, Léo Neves, Rob Machado, Andréa Lopes, Armando
Daltro, Binho Nunes, entre vários outros surfistas. Ou seja, o elenco
inclui os atuais ídolos, os veteranos e os novatos no esporte. Até
o famoso Kelly Slater deu o ar de sua graça por alguns instantes.
Esse
filme não existiria sem música. É ela que embala, que dá o tom dos
tubos, manobras e quedas que eles levam. A trilha sonora reúne bandas
antigas e modernas, com ênfase na música brasileira. Esta traz uma
mistura de sons regionais, passando pelo reggae, rock e MPB. O músico
Digão, ex-Raimundos, preparou novas versões de clássicos do surf,
como "Love I need", cantada por Jimmy Cliff, gravada especialmente
para o filme. Tem também a regravação de "Tudo Azul" de
Lulu Santos. A versão mais punk rock foi feita pela banda Cajamanga.
Apesar da profusão de ondas em cenários paradisíacos, em meio a
música envolvente, o filme carece de enredo, de um eixo condutor
da história. Esta acaba, de fato, não existindo. As imagens se sucedem,
há pouquíssimos diálogos, apenas alguns depoimentos. Estes mostram
o quanto esse esporte fascina seus praticantes.
Há
algumas raras legendas indicando o que cada termo falado pelos surfistas
significa, porém isso aparece apenas vez ou outra. Por isso, marinheiros
de primeira viagem no surfe continuam sem conhecer a grande maioria
das gírias, os jargões que são apresentados constantemente. O leigo
pode acabar se sentindo esquecido e perdido.
É
impressionante a quantidade de parafina que aparece, não só nas
pranchas, mas também nos cabelos dessa galera. Parece até que a
parafina também foi diluída no cérebro. Os depoimentos parecem sempre
os mesmos, não há grande extensão vocabular e os rapazes não se
aprofundam em nada, deixando assim, uma sensação de que falta algo.
Outro ponto que é difícil passar despercebido são as rugas precoces
nos rostos. São diversos rapazes de 18 anos, aparentando ter mais
de 30. Nem filtro solar fator 270 segura a força incessante do sol
na pele muito mais do que curtida desses jovens.
Em contrapartida, alguns trechos são divertidos e saem da mesmice,
como o relato de Danylo Grillo, rapaz espontâneo e bem humorado,
sobre um terremoto que os brasileiros vivenciaram em Sumatra, na
Indonésia. Outra parte, que causa uma tremenda inveja aos amantes
de aventura, são os saltos que os atletas deram do maior Bungee
Jump do mundo. São 216 metros de pura adrenalina.
O documentário chega ao fim com “Mudaram as estações”, música gravada
por Cássia Eller. Melodia que embala, define e conclui o pouco enredo,
em consonância com imagens de pôr do sol, mudanças de estações,
o livre, o leve, o solto, o jovem, o inesperado, o inusitado, o
mágico e o mais importante: o ir e vir das ondas.
Aloha para todos vocês! E espero que ninguém leve um caixote enquanto
se depara com tanta água que chega a transbordar da tela.
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