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Carta
Pro meu Vô
Por
Cecilia Abreu
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Imagens: Divulgação
Rio
de Janeiro, 25 de dezembro de 2007
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No
curso de Jornalismo, nós, alunos, aprendemos que a ordem direta
das frases faz parte da linguagem jornalística. A síntese de uma
frase direta é o exemplo "vovô viu a uva". A ordem indireta
complica, pode dar margem a outras tantas interpretações do conteúdo
apresentado. É por isso, que se usa a ordem direta, que ajuda o
"consumidor" da mensagem (leitor, telespectador ou ouvinte)
a entender e absorver melhor a informação.
No entanto, o meu vovô não viu a uva. Ele viu muito mais. A uva
é muito simples pra definir o que ele viu. Pois meu velhinho, viu
e se aventurou na Europa e outros tantos lugares, conheceu gente
de todos os tipos, raças, credos e soube aprender com todo esse
universo. Meu vovô é moderno, entende de computador como ninguém.
Organiza-se no excel e faz contas que eu jamais entenderei. Se bobear,
saca mais de informática do que eu, que sou bem mais jovem.
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Meu
vovô é um brilhante escritor, um poeta que emociona, e faz de
uma simples entrevista acadêmica, sobre o início da TV no Brasil,
um trabalho nota 10. Algo encantador, digno de dedicatória da
professora.
Não posso esquecer de citar a sua mais notável característica:
meu vovô é o melhor contador de "causos" que eu já conheci,
deixa Forrest Gump no chinelo.
Vovô é irreverente, engraçado, nada óbvio, com pitadinhas de sarcasmo
afiado.
Meu
vovô também é engenheiro de estradas e de um Maracanã lotado.
Pisciano,
excelente motorista da sua inseparável "máquina do tempo",
um Del Rey do final dos anos 80.
Adorador
de Jazz, clássicos de cinema, como o filme Casablanca e antigos
"enlatados" americanos, como o Bonanza.
Vovô
aprende qualquer idioma de ouvido, sem livros ou professor.
Aprende
em poucas horas e imita, como um nativo, qualquer sotaque americano,
principalmente o de Texas. Ele ainda se sai com primor no sotaque
lusitano e italiano. Se bobear sabe falar até russo, eu que ainda
não ouvi.
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| Queria
eu ter aproveitado mais uma outra fase. Os tempos em que eu era
uma Bruzundunga. No entanto, algo percebi: já sei de onde herdei
o dom de criar apelidos gostosos fonéticamente ou totalmente inusitados.
O
hoje, o agora... Quero saber mais de seus "causos", compartilhar
os meus, ler novamente suas histórias, curtir seus slides, e todos
os outros registros que ele cuida e conta sobre a história da nossa
família.
Depois, quero passar pros meus amigos o que ouvi e o quão especial
é esse mundo do meu avô. Como fiz com a história do vinho de Napoleão,
uma herança valiosa e as hemorróidas no Japão.
Sensível,
intenso e culto, esse é meu vovô. Um homem polivalente, uma experiência
que passeia pelos mais belos dos sentimentos humanos e nunca deixa
de lado o senso de justiça, honestidade e integridade.
Eu
sou um pedacinho dele, nem todo mundo percebe. Mas eu sempre vou
saber, tá guardado dentro de mim.
Tenho
orgulho de ser sua neta, vovô, a mais velha destas crianças, que
um dia já foi rebelde, mas que agora, está bem mais mansa.
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Um
beijo gordo e estalado na bochechinha corada.
Com
carinho, da neta baixinha,
Ciça
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