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Arte
Pedagógica na luta contra a Aids
Por
Cecilia Abreu - Fotos: Divulgação
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Texto
publicado no Jornal Povo do Rio - no dia 01/12/2007
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O
famoso sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiros,
Hebert José de Souza, o Betinho (1935-1997), declarou que
via a repercussão da Aids como uma possibilidade do povo
brasileiro se tornar capaz de lutar pela construção
de uma sociedade democrática mais justa, fraterna e sem
preconceitos. Para ele, que era uma figura pública, era
hemofílico e portador do vírus HIV, essa conquista
da população depende de informação
e do conhecimento profundo de temas complexos como a Aids. Partindo
desse mesmo conceito e de um diálogo direto, sem rodeios,
é que o grupo de atores da Companhia de Teatro Preventivo
fala aos jovens das escolas da Rede Pública do Rio de Janeiro
sobre Aids e sexualidade humana, através do Projeto Atitude
Positiva.
O
Início
A Companhia foi criada em 1998 por Maurício G. Guimarães
e conta com o apoio da Secretaria Municipal de Educação
e do laboratório farmacêutico GlaxoSmithKline. Desde
então a iniciativa vem crescendo a cada ano e desenvolvendo
o que muitos chamam de "Teatro para o Desenvolvimento Social",
tratando nas escolas de assuntos como a prevenção
da Aids e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis
(DST), além de outros temas, como a gravidez na adolescência.
O grupo de atores realiza palestras teatralizadas com a linguagem
apropriada ao público para o qual se apresentam. O trabalho
acontece através de funks, poesias, diálogos bem
humorados e material didático distribuído aos alunos,
pais e professores. umoos
e material didátidistribuído aos alunos, pais e
professores.
Junto
a Maurício Guimarães, autor e ator das peças/palestras
está sua mulher, Cilene Sá, seu braço direito,
também atriz e pedagoga. O casal se conheceu quando ambos
já possuíam o vírus HIV. Maurício é
portador do vírus há 22 anos e sua mulher há
10 anos, mas ao invés de se abaterem com a doença,
resolveram levar para frente suas experiências pessoais, histórias
e, principalmente, muita informação.
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Quando tratamos do assunto com os jovens e adultos, nós estamos
divulgando informação. Estamos ajudando tanto aos
outros que não sabem quase nada sobre a doença e àqueles
que precisam lidar no dia-a-dia com a realidade da Aids. Em nossas
palestras e peças, tocamos em questões objetivas e
subjetivas. Mas além disso, a cada trabalho nosso, saímos
um pouco mais curados, revelou Maurício Guimarães.
Em pro da Desmistificação
O grupo luta contra a desinformação, de uma forma
geral. Esta não está presente somente entre os jovens,
mas até mesmo entre os professores, como foi o caso de uma
professora de biologia que ficou indignada ao saber que o casal
gerou um filho, que hoje tem quatro anos de idade.
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Nem todos sabem que um casal soropositivo pode, sim, gerar um filho.
Através de estudo e acompanhamento médico, é
claro. É preciso analisar se a carga viral está zerada,
para assim, a gestação ocorrer sem risco de contaminação
para o bebê. Informações como esta, nem todos
sabem. Já fui chamada de assassina e louca, mas meu filho
está aí, alegre e saudável e sem nenhum problema.
É tudo uma questão de tempo, maturidade e tratamento,
desabafou Cilene.
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A Linguagem dos jovens
O
tom descontraído, questionador do início das peças
é quebrado com a revelação ao público
presente de que o casal é soropositivo. Isso choca inicialmente,
porém, depois do silêncio sepulcral, a descontração
volta e temas como janela imunológica, exames específicos,
carga viral, recontaminação, aleitamento materno,
as transformações físicas e psicológicas,
entre tantos outros assuntos, são apresentados e questionados
a todos.
- A desinformação é que gera o preconceito.
O silêncio não ajuda a ter conhecimento, nem ajuda
na prevenção. São mais de 55 milhões
de pessoas contaminadas pelo mundo todo, mas aonde estão
essas pessoas? Poucos assumem, tornam o assunto público.
É preciso que o silêncio se quebre e que os estereotipos
também acabem. Não é só gay, mulher
promíscua ou drogado que pega Aids não, concluiu Maurício.
A Cia. costuma se apresentar nas escolas, mas também representa
o Brasil em conferências internacionais sobre a Aids, como
a XIV Conferencia Mundial de Aids que ocorreu em Barcelona, Espanha.
Para saber mais informações sobre o trabalho do grupo,
acesse o site:
http://ciateatropreventivo.arteblog.com.br
Novidades:
mais próximos da Cura
Pesquisadores italianos afirmam ter descoberto o papel de uma proteína,
chamada Quemoquina, que pode ser fundamental no combate à
Aids e à outras doenças sexualmente transmissíveis.
Esses estudos iniciados na Universidade de Milão podem representar
um novo avanço da medicina. Espera-se que em um futuro breve,
uma vacina anti-Aids seja criada a partir desses estudos.
A quemoquina, presente no organismo humano em processos inflamatórios,
estimula as células responsáveis pela imunidade a
aumentar a produção da imunoglobulina do tipo A, na
região genital, a principal porta de entrada do vírus
HIV.
A proteína seria capaz de potencializar a criação
de anticorpos contra o vírus HIV e pode representar um avanço
importante para a medicina. Normalmente, este anticorpo já
está presente nas mucosas da boca, do intestino e dos órgãos
sexuais, mas em quantidades menores.
O resultado da pesquisa foi anunciado por professores do departamento
Ciência e Tecnologia Biomédica da Universidade de Milão.
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