No
entanto, quem é que nunca viu vendedores nos sinais de trânsito
vendendo no sábado à tarde o jornal de domingo? E o que acontece
de importante nas tardes e início de noite dos sábados? O hoje,
o agora é dinâmico e se caracteriza por ser repleto de informações
novas, se possível em tempo real.
Em função do dinamismo e rapidez presentes nos meios de comunicação,
parece algo contraditório observar os jornais de domingo tão antecipados
e pensar que eles acompanham as demandas do mundo atual.
Nesse jornais, que são tão diferentes dos demais dias da semana,
são apresentados assuntos chatos, desinteressantes, para muitos
leitores, assim como, entrevistas e reportagens agradáveis de
se ler, extremamente pertinentes e mais aprofundadas.
Jornais
de domingo = Revistas?
Jornais
de domingo assemelham-se ao Jornalismo de revista. Ambos narram
as histórias com mais riquezas de detalhes, pontos e contrapontos,
algo característico nas revistas. Estas não focam somente na notícia
do cotidiano, além disso, vão na repercussão que elas tiveram
ao longo de um determinado período e em temas polêmicos, que geram
infinitas interpretações a cerca do assunto.
O articulista Gualter Mathias Netto levanta o tema em seu artigo
“Jornais de domingo ou de sábado?” publicado na Revista da Comunicação
e deixa para o leitor o questionamento: o que importa mais: a
rapidez com que se tem acesso à notícia, ou a forma, o ritual
envolvido na leitura domingueira?
Para Carmen Elisa Araújo, médica, 53 anos, o ritual de tomar café
com calma aos domingos, lendo um jornal é o que mais importa.
“Para mim é fundamental poder abrir minha porta no domingo, ao
acordar, e ter o prazer de recolher o jornal gordo, variado, com
múltiplas seções. É como se eu voltasse a ser criança e fosse
abrir um presente com embrulho gigante. Algumas reportagens, eu
até chego a guardar para ler em outra ocasião ou mostrar para
outra pessoa que se interesse por aquele assunto específico. O
que importa é ler tudo que me interessa, sem correria. Aos domingos
não me preocupo com nada em tempo real. Para ser sincera, eu quero
mais é que o tempo pare, as horas tenham mais que sessenta minutos,
para eu poder descansar a mente e o corpo”, filosofou Carmen.
A opinião desta leitora é compartilhada por muitos, especialmente
aqueles que, ao longo da semana trabalham o dia todo e não têm
tempo de se dedicar a uma leitura detalhada dos jornais. “Gosto
de levar horas lendo com calma o jornal de domingo e alguns jornais
que guardei durante a semana. Domingo é o dia em que me atualizo
por completo. Gosto de pegar no papel do jornal, sujar a mão e
lê-lo em seu formato tradicional. Durante a semana, acabo lendo
pela internet ou só leio as principais manchetes do jornal impresso.
Mas aos domingos não, nem gosto de usar computador, pois me remete
a trabalho”, disse a advogada Ana Cristina Lacerda de 37 anos.
No entanto, há quem pense diferente, como o engenheiro civil,
holandês, Hessel Galenkamp, radicado no Brasil há 5 anos: “O único
ponto que gosto no jornal de domingo é como ele pode ser mais
facilmente desmembrado. Carrego pra lá e para cá o caderno que
eu quiser. Essa maior praticidade ocorre porque as seções estão
mais definidas e separadas do que nos outros dias, mas o factual
e imediato, não ocorre tanto. Isso me irrita, eu sou dinâmico,
atarefado e gosto de coisas frescas e prontas. Aos domingos, se
quero mesmo saber o que acabou de acontecer, preciso recorrer
à Internet ou à TV”, definiu Hessel.
“Para resumir: domingo é o dia do jornal que só tem matéria que
poderia ser impressa daqui a dois ou três anos, coisa fria, sem
a emoção do inédito”, acrescentou Hessel, de 26 anos.
Jornais
domingueiros costumam ser desatualizados
O jornal domingueiro pode acabar dando informação desatualizada.
O frescor dos eventos do dia fica prejudicado por ele ter sido
fechado tão prematuramente, ou seja, bem antes do domingo chegar.
O leitor desatento não percebe, mas para quem trabalha na área
e está de olho e ouvido nas notícias, o jornal de domingo pode
parecer inútil para se ficar a par do que acabou de ocorrer, mas
vem cheio de outros detalhes, para enriquecer o conhecimento geral
do leitor.
Segundo a jornalista e turismóloga, Tatiane Corneta, de 28 anos,
os jornais de domingo servem para estimular o ócio e a preguiça,
pois quando não publicam a informação supérflua, reeditam o destaque
da semana que passou com outro tratamento, parecendo assim, uma
cirurgia plástica que deixa o assunto enfeitado, repleto de sinônimos
daquilo que já foi publicado.
Cada leitor tem uma opinião diferente ou algo a acrescentar dentro
da mesma linha de pensamento, mas todos concordam que uma das
melhores coisas da vida, enfim, de um domingo, é ficar sentado
no sol ou na sombra, sem ter compromisso com hora, com nada e
com ninguém.