Aprovados em concurso público de Investigador da Polícia Civil fazem protesto em frente à Alerj

Por Cecilia Abreu

06/08/2008

RIO - Cerca de 200 pessoas aprovadas no concurso público de 2006 para a carreira de Investigador da Policia Civil do Rio de Janeiro participaram na tarde de ontem de um protesto em frente à Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O Ministério Público Estadual vem impedindo a nomeação e posse dos 250 aprovados, através de sucessivas ações civis públicas, propostas pelo Promotor de Justiça Rogério Pacheco Alves, sob alegações de suspeita de fraude, possíveis acordos políticos e irregularidades nos testes psicotécnicos.

Os manifestantes, portanto faixas e cartazes, vestindo camisetas brancas da Academia de Polícia (ACADEPOL) rebatem todas as alegações e buscam provar que o concurso foi legítimo e que não há indícios das irregularidades apontadas.

- Nós não somos excedentes, todos que estão aqui foram aprovados. Estamos no meio de uma disputa política. O promotor quer provar improbidade administrativa na gestão do ex-Chefe de Polícia Civil Álvaro Lins. Nosso concurso é dessa época. Mas fomos aprovados e está no nosso direito a nomeação e posse – afirma um dos concursados, Wilson Pereira da Silva.As três ações civis públicas que tramitam no Judiciário e vêm mantendo os aprovados fora do exercício profissional na carreira são motivos de indignação por parte do grupo.

- Fizemos a prova final e o curso todo por nossos méritos pessoais, porque estudamos e não houve fraude no concurso. Não há provas de falta de lisura – completam o coro diversos alunos aprovados. Para os manifestantes, a evidente carência de efetivo policial no estado é um dos fatores que tornam toda esta questão paradoxal.- Fizemos oito meses de curso e ainda tivemos todas essas ações ao longo do caminho. Nós nos formamos, fomos treinados e muitos largaram seus empregos, pois o curso era em horário integral. A polícia civil trabalha com o efetivo pelo menos 50% inferior ao considerado ideal. Existe delegacia no Recreio que não funciona por falta de policiais, ao passo que, nós estamos aqui, esperando a nomeação e posse. Poderíamos ‘oxigenar’ o setor, ou seja, levar gente nova e com energia de sobra para o trabalho. Estão nos prejudicando – analisa João Paulo de Oliveira.

Por fim, os candidatos lançam um questionamento para o governador Sérgio Cabral Filho:
- O que vai ser feito dos alunos investigadores formados? Como se justifica o investimento pessoal e da própria instituição durante todo o tempo de curso? Queremos ser logo nomeados e trabalhar – insiste Wilson Pereira da Silva.

A assessoria do Ministério Público Estadual informou que o Tribunal de Justiça acolheu a liminar para anulação do concurso e que a ação está a cargo do juiz Cláudio Luis Braga Dell’ Orto da 3ª Vara da Fazenda Publica do Rio de Janeiro. O magistrado não foi encontrado. Ele se encontra em Brasília.

No dia 13 de agosto, educadores, profissionais da Saúde, Segurança Pública, Fazenda, Metroviários, entre outros, farão uma paralisação de 24 horas e uma caminhada do Largo do Machado até o Palácio Guanabara, com concentração a partir das 10h. A passeata faz parte da unificação do movimento do funcionalismo estadual em luta por reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

 

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