RIO -
Cerca de 200 pessoas aprovadas no concurso público de 2006 para
a carreira de Investigador da Policia Civil do Rio de Janeiro
participaram na tarde de ontem de um protesto em frente à Assembléia
Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O Ministério Público
Estadual vem impedindo a nomeação e posse dos 250 aprovados,
através de sucessivas ações civis públicas, propostas pelo Promotor
de Justiça Rogério Pacheco Alves, sob alegações de suspeita
de fraude, possíveis acordos políticos e irregularidades nos
testes psicotécnicos.
Os manifestantes, portanto faixas e cartazes,
vestindo camisetas brancas da Academia de Polícia (ACADEPOL)
rebatem todas as alegações e buscam provar que o concurso foi
legítimo e que não há indícios das irregularidades apontadas.
- Nós não somos excedentes, todos que estão
aqui foram aprovados. Estamos no meio de uma disputa política.
O promotor quer provar improbidade administrativa na gestão
do ex-Chefe de Polícia Civil Álvaro Lins. Nosso concurso é dessa
época. Mas fomos aprovados e está no nosso direito a nomeação
e posse – afirma um dos concursados, Wilson Pereira da Silva.As
três ações civis públicas que tramitam no Judiciário e vêm mantendo
os aprovados fora do exercício profissional na carreira são
motivos de indignação por parte do grupo.
- Fizemos a prova final e o curso todo por
nossos méritos pessoais, porque estudamos e não houve fraude
no concurso. Não há provas de falta de lisura – completam o
coro diversos alunos aprovados. Para os manifestantes, a evidente
carência de efetivo policial no estado é um dos fatores que
tornam toda esta questão paradoxal.- Fizemos oito meses de curso
e ainda tivemos todas essas ações ao longo do caminho. Nós nos
formamos, fomos treinados e muitos largaram seus empregos, pois
o curso era em horário integral. A polícia civil trabalha com
o efetivo pelo menos 50% inferior ao considerado ideal. Existe
delegacia no Recreio que não funciona por falta de policiais,
ao passo que, nós estamos aqui, esperando a nomeação e posse.
Poderíamos ‘oxigenar’ o setor, ou seja, levar gente nova e com
energia de sobra para o trabalho. Estão nos prejudicando – analisa
João Paulo de Oliveira.
Por fim, os candidatos lançam um questionamento
para o governador Sérgio Cabral Filho:
- O que vai ser feito dos alunos investigadores formados? Como
se justifica o investimento pessoal e da própria instituição
durante todo o tempo de curso? Queremos ser logo nomeados e
trabalhar – insiste Wilson Pereira da Silva.
A assessoria do Ministério Público Estadual
informou que o Tribunal de Justiça acolheu a liminar para anulação
do concurso e que a ação está a cargo do juiz Cláudio Luis Braga
Dell’ Orto da 3ª Vara da Fazenda Publica do Rio de Janeiro.
O magistrado não foi encontrado. Ele se encontra em Brasília.
No dia 13 de agosto, educadores, profissionais
da Saúde, Segurança Pública, Fazenda, Metroviários, entre outros,
farão uma paralisação de 24 horas e uma caminhada do Largo do
Machado até o Palácio Guanabara, com concentração a partir das
10h. A passeata faz parte da unificação do movimento do funcionalismo
estadual em luta por reajuste salarial e melhores condições
de trabalho.