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Proliferação de
caramujos ameaça população do Rio
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Por Cecilia Abreu
Texto
publicado no Jornal Povo do Rio - 15/11/2007
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A
proliferação de caramujos africanos preocupa autoridades da área
de saúde do Rio de Janeiro. De acordo com dados da Defesa Civil
Municipal, o número de locais com os moluscos dobrou entre 2004
e 2006. Nesse período, foram registrados 2.970 casos. A praga
contamina o solo e a água, provocando doenças em seres humanos
e animais. O bairro mais afetado é Campo Grande, na zona oeste,
onde foram registrados 559 casos, desde 2004.
Em 2004, foram realizados 670 atendimentos a lugares com caramujos.
No ano seguinte, o número passou para 960, chegando a 1.340 em
2006. Este ano, a Defesa Civil já recebeu 808 chamados de moradores
da cidade.
Segundo a diretora de Controle de Operações da Defesa Civil, Heloísa
Florindo, o caramujo africano pode transmitir parasitas que causam
uma doença chamada de Angiostrongilíase meningoencefálica, provocando
inflamação das membranas que protegem o sistema nervoso (espécie
de meningite), além de Angiostrongilíase abdominal (hemorragia
intestinal).
- Os caramujos africanos costumam morar em jardins de prédios,
canteiros de calçadas ou até na vegetação típica da faixa de areia
da orla carioca. A Defesa Civil tem orientado a população com
panfletos desde que percebeu o aumento do problema, destacou Heloísa.
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Segundo
especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza
(IUCN), pode-se afirmar que no Brasil, o risco do caramujo africano
transmitir parasitoses é muito pequeno. Mesmo assim, é preciso
todo o cuidado ao manusear os moluscos encontrados livres no ambiente,
que em hipótese nenhuma devem ser ingeridos. Além disso, deve-se
lavar bem as hortaliças e deixá-las de molho em uma solução de
hipoclorito de sódio a 1,5% [uma colher de sopa de água sanitária
diluída em um litro de água filtrada] por cerca de 30 minutos,
antes de serem consumidas.
A
Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) é o órgão responsável
pelo recolhimento dos moluscos, apesar da Defesa Civil registrar
e acompanhar as ocorrências. As pessoas interessadas em coletar
os caramujos devem estar com as mãos protegidas com luvas ou sacos
plásticos para evitar o contato da secreção com a pele.
Origem
do problema
O caramujo é conhecido como uma espécie
invadora e nativo do leste e nordeste africanos, tendo chegado
ao Brasil na década de 80. A idéia inicial seria comercializá-lo
a um preço inferior ao escargot. Importado ilegalmente,foi introduzido
em fazendas no interior do Paraná e escapou para o meio ambiente,
adaptando-se em várias regiões do país.
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De
acordo com dados da (IUCN), as densas populações desse molusco no
Brasil devem-se principalmente ao seu grande potencial biótico e
à ausência de patógenos específicos. Apesar de serem herbívoros,
são muito vorazes e pouco exigentes para se alimentar, comendo praticamente
de tudo.
Cada
caramujo pode colocar em média 200 ovos e se reproduzir mais de
uma vez por ano. Estes ovos são mais ou menos do tamanho de uma
semente de mamão, branco-amarelados e ficam semi-enterrados. Por
isso, quando a catação é feita, é preciso estar atento para catar
e destruir os ovos também.
Na
África, ambiente de origem do caramujo gigante, existem patógenos,
como, por exemplo, bactérias, fungos e parasitos, que fazem o controle
natural dessa população. No Brasil, onde o caramujo gigante não
é nativo, os estudos ecológicos sobre a espécie ainda são incipientes
e as perspectivas que temos são baseadas em experiências de outros
países, como os Estados Unidos e a Índia.
As espécies invasoras representam a segunda maior ameaça à biodiversidade
em todo o planeta, só perdendo para os desmatamentos.
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