A
Rua Cosme Velho é a principal via do bairro com o mesmo nome,
sendo impossível falar sobre uma sem o outro. Há possui algumas
transversais, que desembocam em ruas sem saída, um largo no estilo
neo-colonial ou até mesmo em ladeiras imensas, de tirar o fôlego
de qualquer pedestre, ciclista ou dos carrinhos 1.0, que ficam
de língua de fora.
O bairro Cosme Velho é pequeno e eminentemente de classe média,
média-alta, residencial, situado na zona sul do Rio de Janeiro,
no sopé do morro do Corcovado e do morro Dona Marta, ocupando
a parte mais alta do vale do Rio Carioca. Liga-se por continuidade
à Rua das Laranjeiras e ao túnel Rebouças. As ruas Cosme Velho
e Rua das Laranjeiras poderiam ser uma só, pois não existe nenhum
acidente geográfico entre elas e suas histórias são estreitamente
ligadas.
É uma região tradicional, cuja história remete ao Brasil-Colônia,
e alguns pontos do bairro ainda mantêm características preservadas,
como a Bica da Rainha, ponto de parada da rainha de Portugal,
D. Maria I, em seus passeios, a partir de 1808, para refrescar-se
do calor.
Breve
Histórico
Ainda no Império, escravos "agueiros", levavam barris
com água proveniente do rio Carioca para uso de seus senhores.
As águas de então eram límpidas e recolhidas em ponto alto do
vale, na região conhecida como Águas Férreas, que engloba a atual
rua Cosme Velho. Esse nome foi utilizado até a primeira metade
do século XX, sendo destino final de linhas de bondes e ônibus.
Atualmente, Águas Férreas é apenas uma lembrança, já que o atual
nome do bairro e da rua foi totalmente incorporado ao conhecimento
da população, tendo a mudança se dado em homenagem ao comerciante
português Cosme Velho Pereira que, no século XVI, habitava a parte
mais alta do vale do Carioca. Na parte mais baixa do vale havia
grande número de laranjeiras, o que originou o nome do bairro
vizinho.
A Rua Cosme Velho tem nítida vocação turística por sua antiguidade
e tradição, contando ainda com muitos imóveis do tempo do império,
como, por exemplo, o Museu Internacional de Arte Naif, a estação
de trem do Corcovado, na Praça de São Judas Tadeu e o Largo do
Boticário, tombado pelo Patrimônio Histórico e que recebeu este
nome em homenagem a Joaquim Luiz da Silva Souto, boticário da
família real que ali morou em uma fazenda. A entrada do Largo
se dá pela rua Cosme Velho, com calçamento em estilo pé-de-moleque,
casas com fachadas e telhados coloniais, árvores centenárias e
visão para uma faixa de Mata Atlântica e o Rio Carioca, nesse
ponto correndo a céu aberto. O Largo do Boticário e o Clan Café
(um bar na rua Cosme Velho nº 564) são considerados o Reduto de
artistas. Os dois lugares têm promovido, ao longo dos anos, as
mais diversas manifestações artísticas e culturais, principalmente
relacionados à música e pintura.
Cerro-Corá
– é ali do lado
Infelizmente,
o bairro não abriga somente a porta de entrada para uma das 7
maravilhas do mundo. No alto da subida da Rua Cosme Velho, no
caminho de carro para o Corcovado, há a favela Cerro-Corá e também
tantas outras espalhadas e emaranhadas, que estão situadas no
bairro de Santa Teresa. Alguns prédios mais altos da rua da Rua
Cosme Velho, possuem vista panorâmica para essas favelas, o que
faz com que os imóveis se desvalorizem e o charme do local se
esmaeça.
O
crescimento das favelas tem sido descontrolado, resultando num
terrível aspecto estético, na destruição da mata atlântica e no
aumento da violência urbana, já tendo sido registrados muitos
assaltos a turistas e moradores. Mas o que mais causou sensação
de insegurança foi quando a cabine da PM, que fica ao lado do
bondinho que dá acesso ao Cristo, foi alvejada durante uma tensa
madrugada de confrontos entre policiais e traficantes. Este incidente
foi mais um aviso de que nem a morada do Cristo está a salvo da
violência que atinge toda a cidade.
Apesar
dos pesares...
Apesar de vários problemas, como
a falta de serviços na própria rua principal e a favelização,
é um local agradável para moradia, com fácil acesso a áreas de
florestas ainda preservadas, e relativamente pouco violento, se
compararmos com outras áreas da cidade. Dada a importância histórica
e à beleza de muitas de suas edificações, reveste-se de muita
importância o esforço para se conservar e preservar a história
de nossa cidade, fazendo com que o conforto, a tecnologia e a
modernidade possam chegar sem destruir um patrimônio tão importante.